Migração para AWS: guia passo a passo para PMEs

Por que migrar para a AWS?

A Amazon Web Services (AWS) é a plataforma de nuvem mais utilizada no mundo, com mais de 200 serviços e presença em 32 regiões globais — incluindo São Paulo (sa-east-1). Para pequenas e médias empresas brasileiras, migrar para a AWS significa acessar a mesma infraestrutura que empresas como Netflix, Nubank e iFood utilizam, mas pagando apenas pelo que realmente consumir.

O modelo de infraestrutura on-premises, com servidores físicos no escritório, traz custos elevados de manutenção, depreciação de hardware, consumo de energia e, principalmente, riscos de segurança e disponibilidade. Uma queda de energia ou uma falha de disco pode parar toda a operação. Na nuvem, esses problemas são abstraídos por data centers redundantes, com SLAs de 99,99% de disponibilidade.

Além da redução de custos operacionais, a nuvem permite que PMEs escalem sua infraestrutura conforme a demanda. Se sua empresa tem picos sazonais — como promoções, lançamentos ou períodos fiscais —, a AWS permite aumentar recursos em minutos e reduzi-los quando o pico passar, sem desperdício financeiro.

As 6 estratégias de migração (6Rs)

A AWS define seis abordagens para migrar workloads, conhecidas como os "6Rs". Entender cada uma é essencial para montar um plano de migração inteligente, que equilibre velocidade, custo e resultado final.

1. Rehost (Lift & Shift)

Consiste em mover a aplicação "como está" para a nuvem, sem alterações de código. É a estratégia mais rápida e simples, ideal para migrações urgentes ou para aplicações legadas que funcionam bem mas precisam sair do hardware físico. Ferramentas como o AWS Application Migration Service (MGN) automatizam grande parte do processo.

2. Replatform (Lift, Tinker & Shift)

Similar ao rehost, mas com pequenas otimizações durante a migração. Por exemplo: mover um banco de dados MySQL de um servidor EC2 para o Amazon RDS, ganhando backups automáticos, patches e alta disponibilidade sem reescrever a aplicação. O esforço é moderado, mas o ganho operacional é significativo.

3. Refactor / Re-architect

A aplicação é redesenhada para tirar máximo proveito dos serviços nativos da nuvem. Isso pode significar migrar para microsserviços, usar Lambda (serverless), filas SQS, bancos DynamoDB e API Gateway. É a estratégia com maior investimento inicial, mas que gera os melhores resultados em performance, escalabilidade e custo a longo prazo.

4. Repurchase (Drop & Shop)

Trocar o sistema atual por uma solução SaaS equivalente. Por exemplo, substituir um servidor de e-mail Exchange on-premises pelo MakWeb Mail ou migrar um ERP local para uma versão cloud. A migração de dados exige atenção, mas a manutenção futura cai drasticamente.

5. Retire

Identificar aplicações que não são mais necessárias e desativá-las. Muitas empresas mantêm servidores rodando sistemas que ninguém usa há meses. A fase de assessment revela esses casos e reduz o escopo — e o custo — da migração.

6. Retain

Manter determinadas aplicações on-premises, seja por requisitos regulatórios, por complexidade de migração ou por dependências técnicas que ainda não podem ser resolvidas. O importante é que essa decisão seja consciente e documentada.

"Uma migração bem-sucedida não é mover tudo para a nuvem — é mover as cargas certas, da forma certa, no momento certo. Os 6Rs existem justamente para que cada workload tenha o tratamento mais adequado."

Passo a passo da migração

Fase 1 — Assessment (Descoberta e Avaliação)

Antes de migrar qualquer coisa, é preciso entender o que você tem. O assessment mapeia todos os servidores, aplicações, bancos de dados, dependências e fluxos de rede do seu ambiente atual. Ferramentas como o AWS Application Discovery Service ajudam nesse levantamento.

  • Inventário completo de servidores e aplicações (CPU, memória, storage, rede)
  • Mapeamento de dependências entre sistemas (qual aplicação conversa com qual banco)
  • Classificação de criticidade (quais sistemas não podem parar)
  • Análise de licenciamento de software (SQL Server, Windows Server, Oracle)
  • Estimativa de custo na AWS com a AWS Pricing Calculator

Fase 2 — Planejamento

Com o inventário em mãos, define-se a estratégia (6R) para cada workload, a ordem de migração (começando pelos sistemas menos críticos), o cronograma e os critérios de sucesso. Também é o momento de desenhar a arquitetura de rede na AWS: VPCs, subnets, security groups, conexão VPN ou Direct Connect com o escritório.

  • Definição da Landing Zone (estrutura base de contas, redes e segurança)
  • Escolha de instâncias EC2 adequadas para cada workload
  • Planejamento de migração de dados (volume, janela de manutenção, ferramentas)
  • Definição de rollback plan — o que fazer se algo der errado
  • Treinamento da equipe interna nos conceitos básicos da AWS

Fase 3 — Migração

A execução propriamente dita. Workloads são migrados em ondas (waves), começando por aplicações de baixo risco para validar o processo. Cada onda inclui migração, testes funcionais, testes de performance e validação com os usuários. A comunicação com as equipes é fundamental para minimizar impactos.

Fase 4 — Otimização

Após a migração, inicia-se a fase de otimização contínua. Isso inclui right-sizing de instâncias (redimensionar para o tamanho correto), implementação de Auto Scaling, uso de instâncias Spot para cargas tolerantes a interrupção e revisão constante de custos com ferramentas de FinOps.

Erros comuns na migração para AWS

Mesmo com planejamento, algumas armadilhas são recorrentes em projetos de migração. Conhecê-las ajuda a evitá-las:

  • Pular o assessment: migrar sem entender o ambiente atual gera surpresas desagradáveis, como servidores subdimensionados ou dependências não mapeadas que quebram após a migração
  • Tratar a nuvem como data center: replicar a mesma arquitetura on-premises na AWS sem usar serviços gerenciados (RDS, ECS, Lambda) é desperdiçar o potencial da nuvem
  • Ignorar segurança: na nuvem, a segurança é responsabilidade compartilhada. A AWS cuida da infraestrutura, mas a configuração de security groups, IAM policies e criptografia é do cliente
  • Não monitorar custos: sem alertas de billing e tags de custo, a fatura da AWS pode surpreender no final do mês
  • Migrar tudo de uma vez: migrações "big bang" são arriscadas. Ondas graduais permitem aprendizado e correção de rota
  • Esquecer o treinamento: a equipe que vai operar o ambiente precisa dominar os conceitos da AWS para evitar erros operacionais pós-migração

Otimização de custos com FinOps

FinOps (Financial Operations) é a prática de gerenciar custos de nuvem de forma colaborativa entre equipes de engenharia, finanças e negócio. Na AWS, isso significa ter visibilidade total do que se gasta, por quê e como otimizar.

As principais estratégias de FinOps na AWS incluem:

  • Right-sizing: analisar métricas de utilização (CPU, memória) e redimensionar instâncias superdimensionadas. Uma instância m5.xlarge usando 10% de CPU pode ser trocada por uma t3.medium com economia de até 60%
  • Reserved Instances e Savings Plans: comprometer-se com 1 ou 3 anos de uso em troca de descontos de até 72% sobre o preço on-demand
  • Instâncias Spot: usar capacidade ociosa da AWS com até 90% de desconto para cargas tolerantes a interrupção (processamento batch, CI/CD, testes)
  • Tags de custo: marcar todos os recursos com tags de projeto, departamento e ambiente para saber exatamente onde cada real está sendo gasto
  • Alertas de billing: configurar AWS Budgets para receber notificações quando os gastos ultrapassarem limiares definidos
  • Desligamento de recursos ociosos: ambientes de desenvolvimento e homologação não precisam rodar 24/7. Agendar desligamento automático à noite e nos fins de semana pode reduzir custos em 65%

"FinOps não é cortar custos — é garantir que cada real investido na nuvem gere valor para o negócio. Empresas que praticam FinOps desde o início da migração economizam em média 30% nos primeiros 6 meses."

Como a MakWeb ajuda na migração para AWS

A MakWeb é parceira AWS e oferece consultoria completa para PMEs que desejam migrar com segurança e eficiência. Nosso processo inclui assessment detalhado do ambiente atual, planejamento de arquitetura cloud-native, execução da migração em ondas com validação contínua e otimização de custos com práticas de FinOps.

Diferente de consultorias genéricas, a MakWeb combina expertise em infraestrutura AWS com profundo conhecimento em segurança cibernética. Isso significa que sua migração já nasce com as melhores práticas de segurança aplicadas: criptografia em trânsito e em repouso, IAM com princípio de menor privilégio, WAF, GuardDuty e monitoramento contínuo.

Após a migração, oferecemos gerenciamento contínuo do ambiente AWS, com monitoramento 24/7, aplicação de patches, revisões de segurança periódicas e relatórios mensais de custo e performance. Sua empresa foca no negócio enquanto a MakWeb cuida da infraestrutura.

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